Livros › Álvares de Azevedo › 12 de Setembro

Capa de 12 de Setembro

12 de Setembro

Álvares de Azevedo (?–1852)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

O sol oriental brilha nas nuvens, / Mais docemente a viração murmura / E mais doce no vale a primavera / Saudosa e juvenil é toda em rosa… / Como os ramos sem folhas / Do pessegueiro em flor.

Ergue-te, minha noiva, ó natureza! / Somos sós — eu e tu: — acorda e canta / No dia de meus anos!

II Debalde nos meus sonhos de ventura / Tento alentar minha esperança morta / E volto-me ao porvir… / A minha alma só canta a sepultura / E nem última ilusão beija e conforta / Meu ardente dormir…

Tenho febre… meu cérebro transborda. / Eu morrerei mancebo, inda sonhando / Da esperança o fulgor… / Oh! cantemos ainda: a última corda / Treme na lira… morrerei cantando / O meu único amor!

Meu amor foi o sol que madrugava / O canto matinal da cotovia / E a rosa predileta… / Fui um louco, meu Deus, quando tentava / Descorado e febril nodoar na orgia / Os sonhos de poeta…

Meu amor foi a verde laranjeira / Que ao luar orvalhoso entreabre as flores, / Melhor que ao meio-dia, / As campinas, a lua forasteira, / Que triste, como eu sou, sonhando amores / Se embebe de harmonia.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Álvares de Azevedo