A Cantiga do Sertanejo
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Donzela! Se tu quiseras / Ser a flor das primaveras / Que tenho no coração: / E se ouviras o desejo / Do amoroso sertanejo / Que descora de paixão!…
Se tu viesses comigo / Das serras ao desabrigo
Aprender o que é amar… / — Ouvi-lo no frio vento, / Das aves no sentimento, / Nas águas e no luar!…
Ouvi-lo nessa viola, / Onde a modinha espanhola / Sabe carpir e gemer!… / Que pelas horas perdidas / Tem cantigas doloridas, / Muito amor, muito doer…
Pobre amor! o sertanejo / Tem apenas seu desejo / E as noites belas do val!… / Só o ponche adamascado, / O trabuco prateado / E o ferro de seu punhal!…
E tem as lendas antigas / E as desmaiadas cantigas / Que fazem de amor gemer!… / E nas noites indolentes / Bebe cânticos ardentes / Que fazem estremecer!…
Tem mais… na selva sombria / Das florestas a harmonia, / Onde passa a voz de Deus, / E nos relentos da serra / Pernoita na sua terra, / No leito dos sonhos seus!
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.