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A Lenda dos Cisnes

António Feijó

Religião e mito3 min de leitura2 páginas

O começo

Gedulde Dich, stilles, hoffendes Herze! Was Dir im Leben versagt / ist, weil Du es nicht ertragen könntest, giebt Dir der Augenblick / Deines Todes.

Herder.

Da praia longínqua, na areia doirada, / O Cysne pensava, fitando a Alvorada:

— «Que imensa ventura, na minha mudez, / Se dado me fosse cantar uma vez!»

— «Meu canto seria, na luz do arrebol, / Dos hinos mais altos à gloria do Sol…»

Não é das gaivotas e gansos do lago / O canto que em sonhos ardentes afago;

É quando nos bosques as aves escuto / Que a inveja confrange minh'alma de luto.

Se a Aurora se lança do cume dos montes, / Até dalegria murmuram as fontes;

Só eu, passeando o meu tédio supremo, / Nem rio, nem choro, nem canto, nem gemo.

Oh Sol, que já vejo surgindo do Mar, / Tem dó de quem, mudo, não pode cantar!»--

E o Cysne, em silencio, chorava, escutando / A orquestra das aves que passam em bando.

Das águas rompia a quadriga de Apollo, / E o pobre a cabeça escondia no colo…

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