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Castelo Bárbaro

António Feijó

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Um a um sobrepondo os tormentos mais altos, / Da minha própria dor fiz uma Fortaleza, / Que pudesse afrontar tempestades e assaltos, / Imponente de rude e bárbara grandeza.

Desde então, sem receio, a tudo invulnerável, / Depondo na panóplia o escudo e as armas rotas, / Vivo oculto no meu torreão inexpugnável, / Recompondo em anais combates e derrotas.

Nenhum grito ou rumor atinge essa eminencia; / Nenhum desejo vão escala essas alturas, / Onde, antigas visões, andam como em demência / Do passado a evocar saudades e amarguras.

Contudo, alguma vez, se uma ilusão funesta / Um eco juvenil faz em mim despertar, / Como som matinal de campanário em festa / Que no meu coração vem de longe vibrar,

Então,--luz sem igual que tudo em torno abrasa-- / A Ventura de novo aos olhos meus se ostenta, / — Raio de sol suspenso a tremer numa asa / Que um instante pairou sobranceira à tormenta.

E atrás dessa quimera ou sonho alucinante, / Vou, numa ânsia de gozo, um momento arrastado, / Como o condor lançando o voo fulminante / Á presa que entreviu do píncaro escarpado.

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