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Hino à Beleza

António Feijó

PoesiaRomance2 min de leitura2 páginas

O começo

Onde quer que o fulgor da tua gloria apareça, / — Obra de gênio, flor de heroísmo ou santidade,-- / Da Gioconda imortal na radiosa cabeça, / Num ato de grandeza augusta ou de bondade,

— Como um pagão subindo à Acropole sagrada, / Vou de joelhos render-te o meu culto piedoso, / Ou seja o Heroe que leva uma aurora na Espada, / Ou o Sancto beijando as chagas do Leproso.

Essa luz sem igual com que sempre illuminas / Tudo o que existe em nós de grande e puro, veio / Do mesmo foco em mil parábolas divinas: / — Raios do mesmo olhar, ânsias do mesmo seio.

Alta revelação que, baixando em segredo, / O prisma humano quebra em ângulos dispersos, / Como a água a cair de rochedo em rochedo / Repete o mesmo som, mas em modos diversos.

É audácia no Heroe; resignação no Sancto; / Som e Côr, ondulando em formas imortais; / No mármore rebelde abre em folhas de acantho, / E esmalta de candura a flora dos vitraes.

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