Hino à Vida
O começo
Tenho-te medo, embora ignoto amor me traga / Preso a ti, como o feto ao seio em que germina… / Foi por ventura o sol, da espuma de uma vaga, / Ou Deus que te criou de uma essência divina?
Que importa? Donde quer que o teu sorriso veio, / Quem quer que sejas,--flor dinefável deleite, / Dódio ou de fel,--és sempre o mesmo augusto seio / Em que a Dor e o Prazer bebem o mesmo leite!
Cálix do Sacrificio em que os meus lábios ponho! / — Trazendo o Amor e a Morte a servir-te descolta,-- / Deste ao mundo o licor do seu primeiro sonho, / O vinho e a embriaguez da primeira revolta!
Sobes do prado em flor, desces dos altos cumes, / Na immarcessivel luz que os orbes incendeia; / Passas no largo vento a derramar perfumes, / Choras no vasto oceano a rebentar na areia!
O teu Genio, que o barro amolda e purifica, / Enleva os corações de jubilo e transporte, / Se no Esqueleto exhibe a túnica mais rica, / Se em Belleza sorri na máscara da Morte:
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