A Selva Escura
O começo
Perdi-me no caminho solitário / De uma floresta imensa e fria… / Medrosa ainda, a Noite lívida descia, / E o clarão do luar, como um pranto mortuário, / Pelas folhas das árvores corria. / No silencio da Noite, o silencio da Selva / Enchia-se de vozes enigmáticas… / E os meus pés vacillavam sobre a relva, / Entre as sombras das árvores extácticas. / Numa clareira funda, águas dormentes, / Como um lago lunar, tremeluziam / Nas lágrimas de luz, altas e ardentes / Que das estrelas pálidas caíam. / Nem ruido de mar, folhas ou vento… / O mistério, porém, da Noite e da Floresta / Enchia de terror meu pensamento, / Como um sopro boreal que me gelava a testa. / Não sei se era visão, filha do Mêdo, /…
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