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Tu Não Podes Saber, Querida Alzira

Bocage

Poesia13 min de leitura11 páginas

O começo

Tu não podes saber, querida Alzira, / Com que alegria as cobiçadas letras / Da tua Olinda foram recebidas! / Não podes saber, nem eu dizer-t′o. / Que pura locução, que Amor ensina! / Quam diff′rente linguagem da que falam / Os livros, que me dá o meu Beltino! / N′eles descubro o sensual estilo / Que a modéstia revolta, e que não quadra / Às puras sensações, que Amor excita. / Frase brutal, sem arte e sem melindre, / Qual despejada plebe usar costuma; / N′eles de amor os gostos enxovalha / Mysterioso véu, que arrancar ousam / Com mão profana d′ante o santuário / Que amor encerra, e d′onde o deus oculto, / Manda aos mortais um cento de venturas. / D′eles o numen foge, e por castigo

Leva após si deleites, que não provam: / Em vez de graças mil, de mil prazeres / Priapeo tropel ímpios incensam. / Dá-me tédio a lição de escritos torpes, / Onde o prazer fugaz, lassos os membros, / Sob mil formas em vão se perpetua / Lassos membros, lassos os sentidos, / Debalde esgotam, soffregos de gostos, / De impudicicia inumeráveis gestos. / Morre a chama, que amor mutuo não sopra; / Como é vil a expressão, e é vil o gozo / Que uma Theresa , que outras tais francesas / Em impuros bordéis gabar-se ufanam!

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