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Com que Satisfação, com que Alegria

Bocage

Poesia4 min de leitura3 páginas

O começo

Com que satisfação, com que alegria / Vejo da minha Olinda as ternas letras! / Retrato da inocência, me affiguras / O que por mim passou, estranho efeito / De um coração sensível, não manchado / Ainda pela mão da iniquidade. / Fala, não temas exprimir-te, Olinda, / Que se culpável fores de outrem aos olhos, / Aos meus és inocente, e assim te julgo.

Da inviolável lei da Natureza / A que sujeita estás, bem como tudo, / Nascem, querida amiga, os teus transportes: / Só provém d′ela, é ela que t′os causa; / Ella os mitigará em tempo breve, / Dando-te próvida um remédio ativo. / A triste educação, que ambas tivemos, / Mais desenvolve os ternos sentimentos / Dos que amar só procuram, e não podem / Na solidão senão atormentar-se. / Do recato das filhas temerosos / Pensam os rudes pais, que em sopeá-las / Alcançam extinguir o voraz fogo / Que sopra a Natureza, e que ela atêa. / Néscios, de amor lhe formam atentados, / Que o coração desmente, e que não pode / Saber justificar a razão mesma.

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