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Elegia à Morte de uma Alcoviteira

Bocage

Poesia36 min de leitura31 páginas

O começo

OLINDA A ALZIRA / Que estranha agitação não sinto n′alma / Depois que te perdi, querida Alzira! / De meus olhos fugiu, sumiu-se o fogo, / Que a tua companhia incendiava! / Por uma vez se foi a minha alegria, / Nem a mesma já sou, que outr′ora hei sido! / Minhas vistas ao céu languidas se erguem, / E a mim própria pergunto d′onde venha / Tão novo sentimento assoberbar-me? / Não se aquieta o coração no peito, / Não cabe n′ele, e viva chama no íntimo / Das entranhas ardente me devora, / Sem que eu possa atinar a causa, a origem. / Aqueles passatempos, que na infância / Tão do peito queria, em ódio os tenho.

Das mesmas sup′rioras a presença, / Que d′antes para mim era indiff'rente, / Se me torna hoje dura, intolerável! / Aonde, aonde irão estes impulsos / Precipitar a malfadada Olinda? / Será, querida Alzira, a tua ausência, / Que me faz derramar tão agro pranto? / Debalde a largos passos solitária / Vago sem norte: ignoro o que procuro; / Ah! minha cara! os males que tolero / Expressá-los não posso, nem sofrê-los.

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