Cantata à Morte de Inês de Castro
O começo
As filhas do Mondego a morte escura, / Longo tempo, chorando, memoraram. / CAMÕES, Lusíadas. Canto 3, cxxxv
Longe do caro Esposo Inês formosa / Na margem do Mondego / As amorosas faces aljofrava / De mavioso pranto. / Os melindrosos, cândidos penhores / Do tálamo furtivo, / Os filhinhos gentis, imagem dela, / No regaço da mãe serenos gozam / O sono da inocência. / Coro subtil de alígeros Favónios / Que os ares embrandece, / Ora enlevado afaga / Com as plumas azuis o par mimoso, / Ora solto, inquieto, / Em leda travessura, em doce brinco, / Pela amante saudosa, / Pelos ternos meninos se reparte, / E com tênue murmúrio vai prender-se / Das áureas tranças nos anéis brilhantes. / Primavera louça, quadra macia / Da ternura e das flores, / Que à bela Natureza o seio esmaltas, / Que no prazer de Amor ao…
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