Esquentado Frisão, Brutal Masmorro
O começo
Esquentado frisão, brutal masmorro / Girava em Santarem na pobre feira; / Eis que divisa ao longe em couva ceira / Seus bons irmãos seraphicos de barro: / O bruto, que arremeda um boi de carro / Na carranca feroz, parte à carreira, / Os sagrados bonecos escaqueira, / E arranca de ufania um longo escarro: / N′alma o santo furor lhe arqueja, e berra; / Mas vós enchei-vos de íntimo alvoroço, / Povos, que do burel soffreis a guerra: / Que dos bonzos de barro o vil destroço / É presagio talvez de irem por terra / Membrudos fradalhões de carne e osso!
Como a historia da composição d′estes sonetos se encontra amplamente descrita na «Livraria Clasica» (tomo XXIII), para aqui a transcreveremos, em obsequio aos leitores, que não tiverem à mão aqueles folhetos.
«Era Santarém a mais cara residência de Bocage. Tractado como irmão em casa do Senhor Salinas de Benevides, ali se esquecia durante meses. Era chegado o tempo da feira, em que, segundo o uso, grande multidão concorria àquela terra.
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