Epístola ao Autor da «Pavorosa»
O começo
Sacrílego impostor, que renovando / Os antigos delírios da ignorância, / Mil vezes felizmente refutados, / Pretende iludir a inocência, / Fabricando um sistema monstruoso, / Incrivel mesmo aos olhos da impiedade: / Quando a mão temeraria assim levantas / Contra o dogma fatal da eternidade, / Aviltando o teu ser, dize, profano, / Não te grita a razão — Suspende o braço? / Esse Deus, que confessas amoroso, / Deus de paz, pai dos homens, não flagelo, / Com esses atributos desempenha / Com frouxa indiferença submergindo / No embrião do nada aqueles entes / Em que quis esculpir a sua imagem"? / Onde estará o amor, onde a ternura / D′esse Ente nosso pai? Em ter criado / De motu próprio uns…
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