O Ciúme (Bocage)
O começo
Agora, que ninguém vos interrompe, / Lágrimas tristes, inundai-me o rosto, / Mais do que nunca assim o quer meu Fado. / Enquanto o gume de mortal desgosto / Me não retalha os amargosos dias, / Debaixo destas árvores sombrias / Grite meu coração desesperado,
Meu coração cativo, / Que só tem nos seus ais seu lenitivo. / Alterosas, frutíferas palmeiras, / Vós, que na glória equivaleis aos louros, / Vós, que sois dos heróis mais cobiçadas / Que áureos diademas, que reais tesouros, / Escutai meus tormentos, meus queixumes, / Meus venerosos, infernais ciúmes, / Ouvi mil penas, por Amor forjadas, / Mil suspiros, mais tristes / Que todos esses, que até'qui me ouvistes.
Aqueles campos, aprazíveis campos, / Que além verdejam, de meu mal souberam / A desgraçada mas suave origem; / Ali de uns olhos os meus ais nasceram, / Ali de um meigo, encantador sorriso, / Que arremeda o sereno paraíso, / Brotaram mil infernos, que me afligem, / Que as entranhas me abrasam, / Que meus olhos de lágrimas arrasam;
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