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N'esta, Cuja Memória Esquece à Fama

Bocage

Biografia e memórias3 min de leitura2 páginas

O começo

N′esta, cuja memoria esquece à Fama, / Feira, que de Santarem vem de ano em ano, / Jazia co′uma freira um franciscano; / Eram de barro os dois, de barro a cama: / Co′amão, que à virgindade injurias trama, / Pretendia o cabrão ferrar-lhe o pano; / Eis que um negro barrasco, um Frei Tutano / O espetáculo vê, que os rins lhe inflama: / «Irra! Vens-me atiçar, gente danada! / Não basta a felpa dos bureis opacos, / Com que a carne rebelde anda ralada? / «Fora, vis tentações, fora velhacos!…» / Disse, e ao ríspido som de atroz patada / O escandaloso par converte em cacos.

Como a historia da composição d′estes sonetos se encontra amplamente descrita na «Livraria Clasica» (tomo XXIII), para aqui a transcreveremos, em obsequio aos leitores, que não tiverem à mão aqueles folhetos.

«Era Santarém a mais cara residência de Bocage. Tractado como irmão em casa do Senhor Salinas de Benevides, ali se esquecia durante meses. Era chegado o tempo da feira, em que, segundo o uso, grande multidão concorria àquela terra.

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