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A Temerosa Olinda É Quem me Escreve

Bocage

Poesia11 min de leitura10 páginas

O começo

A temerosa Olinda é quem me escreve? / É este o seu pudor, sua inocência? / Ah! Que as minhas lições tão bem aceitas, / Dão-me a ver que a discípula inexperta / Ha de em breve ensinar a própria mestra. / Olinda não sabia o que excitava / Dentro em seu coração ternos impulsos. / Que tanto a angustiavam… Não sabia / Qual d′estranha mudanças em suas formas. / Em seus membros gentis a causa fosse! / A voluptuosa Olinda, devorada / Do mais ativo fogo, ingenuamente / Consulta a sua amiga, e a um leve aceno / Corre a engolphar-se na amorosa lida. / Basta um momento a transtorná-la toda! / E porque de tão prospero sucesso / Pretendes tu, querida, dar-me a gloria? / Não, não fui eu: somente a…

Como de uma boçal, incauta virgem / Uma amante formou tão extremosa!

A agradável pintura, que bosquejas, / Dos férvidos transportes, que sentiste / Entre os braços do amante afortunado, / Não é, querida Olinda, tão sincera, / Como sincera foi a que traçaste / De ignotas emoções a Amor sujeitas. / Já não te exprimes com igual candura: / Filha da reflexão nova linguagem, / Por artificio mascarada em letras, / Vejo, que anunciar-me antes procura / Após do que se há feito o que se pensa, / Do que por gradações d′ação o int′resse / Pouco a pouco esmiuçar, dar-me a ver todo.

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