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A Manteigui

Bocage

Poesia6 min de leitura5 páginas

O começo

Da grande Manteigui, puta rafada, / Se descreve a brutal incontinência; / Do cafre infame a porra desmarcada, / Do cornigero esposo a paciência: / Como à força de tanta caralhada / Perdendo o negro a rígida potencia, / Foge da puta, que sem alma fica / Dando mil berros por amor da pica.

CANTO ÚNICO

Canto a beleza, canto a putaria / De um corpo tão gentil, como profano; / Corpo, que, a ser preciso, enguliria / Pelo vaso os martelos de Vulcano: / Corpo vil, que trabalha mais n′um dia / Do que Martinho trabalhou n′um ano; / E que atura as chumbadas e pelouros / De cafres, brancos, maratás, e mouros.

Venus, a mais formosa entre as deidades, / Mais lasciva também que todas elas; / Tu, que vinhas de Troya às soledades / Dar a Anchises as mamas e as canelas: / Que grammaste do pai das divindades / Mais de seiscentas mil fornicadellas; / E matando uma vez da crica a sede. / Foste pilhada na vulcanea rede:

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