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Página Flagrante

Cruz e Sousa (?–1898)

Filosofia4 min de leitura4 páginas

O começo

Inflamados de sol, como pássaros no esplendor da aurora, partiam Ambos a digressões singulares, por manhãs alegres, da alegria impulsiva e bizarra das Hallalis de caça.

Uma virginal exalação de leite, um aroma finíssimo de lilás e rosa errava pelos prados sãos e férteis, na grande luz alastrante e germinadora da primavera.

Na franqueza heroica da força que a expansão vigorescente da Natureza lhes infiltrava, experimentavam Ambos uma sensação aguda de espiritualidade, um eletrismo de ideias, que os agitava, davalhes intensa vibratilidade, uma embriaguez fascinante de acre aticismo mental, por entre os radiantes orientalismos de luz.

E eles partiam nervosamente, alvoroçados, finos, fulgurantes, como sobre a impressão da alta e convulsionante música wagneriana.

De uma abundante e luxuriosa vegetação psíquica, enclausurados na Arte, como numa cela, lá iam sempre nessas continuadas batidas, nesses verdadeiros assaltos ao Ideal, num fausto de Império romano, arrebatados pela grande borboleta iriante, fugidia e fascinadora da Arte.

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