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Rosa (Cruz e Sousa)

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Et, rose, elle a vécu ce que vivent les roses, / l’espace dun matin. / (Malherbe)

Rosa — chamava-se a estrela / Daquelas flóreas paragens; / Era escutá-la e era vê-la / Metida em brancas roupagens

Todas de pregas e tufos, / De laçarotes e rendas, / Ou mesmo ouvir-lhe os arrufos / Ou surpreender-lhe as contendas

Nas lindas tardes radiadas / Por cores de silforamas / E sentir logo, inspiradas / Do amor, as férvidas chamas.

Ela era um beijo fundido / Ao cintilar de uma aurora, / Um sonho eterno espargido / Nos belos sonhos de Flora.

E tinha uns longes sublimes / De grande força lasciva, / A transudar, como uns crimes / Do sangue, da carne altiva.

Contava tudo… mas tanto, / Em turbilhões, em cascata, / Que recordava esse canto / Uma garganta de prata.

E quando os poetas, rapazes, / A viam passar, vibrante, / Mostrando as curvas audazes, / Do corpo todo radiante,

Diziam de entre os primores / De estrofes mais dulçurosas: / — Tu és a gêmea das flores, / Das rosas, perfeitas rosas.

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