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Os Monges

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Montanhas e montanhas e montanhas / Ei-los que vão galgando. / As sombras vãs das figuras estranhas / Na Terra projetando.

Habitam nas mansões do Imponderável / Esses graves ascetas; / Ocultando, talvez, no Inconsolável / Amarguras inquietas.

Como os reis Magos, trazem lá do Oriente / As alfaias preciosas, / Mas alfaias, surpreendentemente, / As mais miraculosas.

Nem incensos, nem mirras e nem ouros, / Nem mirras nem incensos, / Outros mais raros, mágicos tesouros / Sobre todos, imensos.

Pelos longínquos, sáfaros caminhos / Que vivem percorrendo, / A Dor, como atros, venenosos vinhos, / Os vai deliqüescendo.

São os monges sombrios, solitários, / Como esses vagos rios / Que passam nas florestas tumultuários, / Solitários, sombrios.

São monges das florestas encantadas, / Dos ignotos tumultos, / Almas na Terra desassossegadas, / Desconsolados vultos.

São os monges da Graça e do Mistério, / Faróis da Eternidade / Iluminando todo o Azul sidéreo / Da sagrada Saudade.

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