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Monja Negra

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

É teu esse espaço, e teu todo o Infinito / Transcendente Visão das lágrimas nascida, / Bendito o teu sentir, para sempre bendito / Todo o teu divagar na Esfera indefinida!

Através de teu luto as estrelas meditam / Maravilhosamente e vaporosamente; / Como olhos celestiais dos Arcanjos nos fitam / Lá do fundo negror do teu luto plangente.

Almas sem rumo já, corações sem destino / Vão em busca de ti, por vastidões incertas… / E no teu sonho astral, mago e luciferino, / Encontram para o amor grandes portas abertas.

Cândida Flor que aroma e tudo purifica, / Trazes sempre contigo as sutis virgindades / E uma caudal preciosa, interminável, rica, / De raras sugestões e curiosidades.

As belezas do mito, as grinaldas de louro, / Os priscos ouropéis, os símbolos já vagos, / Tudo forma o painel de um velho fundo de ouro / De onde surges enfim como as visões dos lagos.

Certa graça cristã, certo excelso abandono / De Deusa que emigrou de regiões de outrora, / Certo aéreo sentir de esquecimento e outono, / Trazem-te as emoções de quem medita e chora.

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