À Morte de Afonso de A. Coutinho Nesseder, Estudante da Escola Central
Casimiro de Abreu (?–1860)
O começo
Who hath not lost a friend?…
M.
É triste ver a flor que desabrocha / Ou quer no prado, ou na deserta rocha, / Pender no fraco hastil! / É bem triste dos anos nos verdores / Morrer mancebo, no brotar das flores, / Na quadra juvenil!
Meu Deus! tu que és tão bom e tão clemente, / P'ra que apagas, Senhor, a chama ardente / Num crânio de vulcão? / P'ra que poupas o cedro já vetusto / E, sem dó, vais ferir o pobre arbusto / Às vezes no embrião?!…
Pois não fora melhor vivesse a planta / Cujo perfume a solidão encanta / No sossego do val?… / - Não veríamos nós neste martírio / Desfalecer tão belo o pobre lírio / Pendido ao vendaval!
Pobre mancebo! Nesse peito nobre / E nessa fronte que o sepulcro cobre / Era fundo o sentir! / Agora solitário tu descansas, / E contigo esse mundo de esperanças / Tão rico de porvir!
Oh! lamentemos essa pura estrela / Sumida, como no horizonte a vela / Nas névoas da manhã! / A sepultura foi há pouco aberta… / Mas o dormente já se não desperta / À voz de sua irmã!
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