À Morte de Leandro e Hero
O começo
De horrenda cerração c'roada, a Noite / Surgira há muito da ciméria gruta; / Tapando o longo céu co'as asas longas / Reina em meio Universo: / Ocupam-lhe os degraus do negro trono / A Tristeza, o Silêncio, / O Medo, a Solidão, o Amor e o Crime; / Voam-lhe em roda lúgubres fantasmas, / Aves sinistras pousam-lhe no grêmio. / Eis manso e manso as nuvens se entumecem, / Eis o líquido peso / Rompe os enormes, carregados bojos, / Em torrentes sussurra e cai na terra. / Rebentam furacões, flamejam raios, / O estrondoso trovão no céu rebrama, / O Helesponto nas rochas ferve e ronca. / Tu, abideno amante, / Tu velas neste horror com a saudade, / Já corres insofrido às ermas praias, / Donde é teu uso…
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