Poesia e Mendicidade
Castro Alves (?–1871)
O começo
Pálida, aventureira, errante a viajar, / Batendo em duas portas — ao grito das procelas — / Ao céu — pedindo estrelas, à terra — um pobre lar!
Visão-de áureos lauréis-porém de manto esquálido, / Mulher-de lábio pálido-e olhar-cheio de luz. / Seus passos nos espinhos em sangue se assinalam… / E os astros lhe resvalam-à flor dos ombros nus…
Olhai! O sol descamba… A tarde harmoniosa / Envolve luminosa a Grécia em frouxo véu. / Na estrada ao som da vaga, ao suspirar do vento, / De um marco poeirento um velho então se ergueu.
Ergueu-se tateando… é cego… o cego anseia… / Porém o que tateia aquela augusta mão?… / Talvez busca pegar o sol, que lento expira!… / Fado cruel… mentira!… Homero pede pão!
Mas ai! volvei, Senhora, os vossos belos olhos / Daquele mar de abrolhos, a um novo quadro! olhai! / Do vasto salão gótico eu ergo o reposteiro… / O lar é hospitaleiro… Entrai, Senhora, entrei!
Estamos na média idade. Arnês, gládio, armadura / Servem de compostura à sala vasta e chã. / A um lado um galgo esvelto ameiga e acaricia / A mão suave, esguia — à loura castelã. / Vai o banquete em meio… O bardo se alevanta / Pega da lira… canta… uma canção de amor…
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