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Talvez a Morte?!...

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia3 min de leitura2 páginas

O começo

Sob a florescência casta e voluptuosa da lua, numa noite em que eu ia embebido num desses sonhos que nos transportam ainda mesmo acordados, deparei com um vulto de mulher, alta, esgalgada e lívida, vestida de negro e velada pela redoma vaporosa da bruma da lua…

Parecia trazer, como auréola extravagante, a nostalgia de ecos e rumores extintos…

O seu rosto branco, lactescente, na majestade do negror das vestes, tinha uma beleza augusta.

A fronte era como um ceú pálido e sereno para constelar de beijos soluçados de imprevista e suprema paixão.

Os cabelos, iriados dorvalho luminoso, como que desprendiam certa fosforescência leve… Não eram louros, eram negros e de um oleoso quente, impressionante, fascinativo.

Os olhos chamejantes lembravam dois astros ardendo numa treva densa e ondulante, coruscando no abismo das duas órbitas fundas, fatidicamente embaladores como berceuses de um doce e delicioso Nirvana…

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