Livros › Cruz e Sousa › Vulda

Capa de Vulda

Vulda

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Os veludos e aromas noturnos do teu próprio nome, Vulda, têm o estranho encanto dessa indiana majestade bramânica e ao mesmo tempo uma volúpia morna de luar de Verão, derramado lânguido, lento, molemente, pelas longas e caladas praias claras…

Desperta-me o desejo do longe, do ignoto, do remoto, do ermo, do indefinido, na nonchalance, na displicência e preguiça aristocrática de um príncipe êxul, que erra e sonha, contemplativo e solitário, nas arcarias góticas dos nobres pórticos onde viera vê-lo, outrora, a Amada peregrina.

Sempre que o pronuncio, sempre que ele me aflora aos lábios, Vulda, experimento a sensação esquisita do sabor de um fruto delicioso, de maravilhosa tonalidade, sazonado num clima douro e dazul, por sóis germinais e terras virgens.

Sempre que o pronuncio, como que sinto o lábio sangrar, sangrar, pelo gozo vivo, intenso, de o pronunciar, como se a minha boca mordesse com avidez, com gula, a polpa deslumbrante de áurea carne viçosa, pubescente, fina.

Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.

Mais de Cruz e Sousa