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Um Canto do Século

Álvares de Azevedo (?–1852)

Poesia4 min de leitura4 páginas

O começo

Spiritus meus attenuabitur, dies mei / Breviabuntur, et solum mihi superest / Sepulchrum. / JOB

Debalde nos meus sonhos de ventura / Tento alentar minha esperança morta / E volto-me ao porvir: / A minha alma só canta a sepultura / E nem última ilusão beija e conforta / Meu suarento dormir…

Debalde! que exauriu-me o desalento: / A flor que aos lábios meus um anjo dera / Mirrou na solidão… / Do meu inverno pelo céu nevoento / Não se levantará nem primavera, / Nem raio de verão!

Invejo as flores que murchando morrem, / E as aves que desmaiam-se cantando / E expiram sem sofrer… / As minhas veias inda ardentes correm… / E na febre da vida agonizando / Eu me sinto morrer!

Tenho febre! meu cérebro transborda… / Eu morrerei mancebo, inda sonhando / Da esperança o fulgor… / Oh! cantemos ainda: a última corda / Inda palpita… morrerei cantando / O meu hino de amor!

Meu sonho foi a glória dos valentes, / De um nome de guerreiro a eternidade / Nos hinos seculares, / Foi nas praças, de sangue ainda quentes,

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