Virgem Morta
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Oh! make her a grave where the sun-beams rest, / When they promise a glorious morrow! / They'll shine o'er sleep, like a smile from the West, / From her own lov'd island of sorrow. / TH. MOORE
Lá bem na extrema da floresta virgem, / Onde na praia em flor o mar suspira… / Lá onde geme a brisa do crepúsculo / E mais poesia o arrebol transpira…
Nas horas em que a tarde moribunda / As nuvens roxas desmaiando corta,
No leito mole da molhada areia / Deitem o corpo da beleza morta.
Irmã chorosa a suspirar desfolhe / No seu dormir da laranjeira as flores, / Vistam-na de cetim, e o véu de noiva / Lhe desdobrem da face nos palores.
Vagueie em torno, de saudosas virgens / Errando à noite, a lamentosa turma… / E, entre cânticos de amor e de saudade, / Junto às ondas do mar a virgem durma.
Às brisas da saudade soluçantes / Aí, em tarde misteriosa e bela, / Entregarei as cordas do alaúde / E irei meus sonhos prantear por ela!
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