Ressurreição (Cruz e Sousa)
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Alma! Que tu não chores e não gemas, / Teu amor voltou agora. / Ei-lo que chega das mansões extremas, / Lá onde a loucura mora!
Veio mesmo mais belo e estranho, acaso, / Desses lívidos países, / Mágica flor a rebentar de um vaso / Com prodigiosas raízes.
Veio transfigurada e mais formosa / Essa ingênua natureza, / Mais ágil, mais delgada, mais nervosa, / Das essências da Beleza.
Certo neblinamento de saudade / Mórbida envolve-a de leve… / E essa diluente espiritualidade / Certos mistérios descreve.
O meu Amor voltou de aéreas curvas, / Das paragens mais funestas… / Veio de percorrer torvas e turvas / E funambulescas festas.
As festas turvas e funambulescas / Da exótica Fantasia, / Por plagas cabalísticas, dantescas, / De estranha selvageria.
Onde carrascos de tremendo aspecto / Como astros monstros circulam / E as meigas almas de sonhar inquieto / Barbaramente estrangulam.
Ele andou pelas plagas da loucura, / O meu Amor abençoado, / Banhado na poesia da Ternura, / No meu Afeto banhado.
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