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Somnambula

António Feijó

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Leia estes versos, cantando. / — Quem canta seu mal espanta! / Alma em saudades penando, / Só tem alivio se canta…

Passarinho trigueiro, / Põe-te na areia !…

A areia é doiro,--painço loiro… / Leito macio… Vê como o Rio / Vae sossegado, todo enlevado, / Todo encantado na areia fina!

Passarinho trigueiro ! Olha o salgueiro / Como se inclina, / A ver se as águas / Pode beijar! / E o velho choupo, todo curvado, / Todo engelhado, / De tantas mágoas / Que viu passar!

Nas águas mansas, folhas caídas, / Como esperanças desfallecidas, / Lá vão perdidas nas águas mansas, / Como esperanças / Desfallecidas…

Passarinho trigueiro, / Põe-te na areia !…

A velha ponte talvez te conte / Lindas histórias para encantar, / Lindas histórias da Lua Cheia, / Quando na areia põe a corar / O alvo linho / Do seu tear… / Passarinho trigueiro! pia baixinho! / Ouve as cantigas, que as raparigas, / No S. João, / Soltam ao vento como um lamento / Do coração!

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