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Dias Tristes

Cruz e Sousa (?–1898)

Filosofia3 min de leitura3 páginas

O começo

Apesar do sol, que imensa tristeza para certos seres, que dias tristes, esses, de uma melancolia e dolorosa névoa…

Os ruídos todos, o esplendor da luz, convergindo em foco para o coração, deslumbram, fascinam de modo tal e tão e tão profundamente, que o abatem, infiltrando-lhe essa tristeza infinita que não se define e que está, como um fundo de morbidez, nas almas contemplativas e nômades, que vão armar a sua tenda nas desconhecidas e longínquas paragens abstratas do Pensamento.

Dias triste, muita vez, os dias de sol.

Mergulhado o espírito na onda profunda de desejos irresistíveis, como numa intensa e luxuriosa paixão, os aspectos que se lhe manifestam na Natureza são amargos, atravessados dessa pungência aflitiva, dessa magoante desolação e atormentadora ironia que há na essência de todas as coisas e ideias.

E, como o pensar dá uma grande tristeza, põe no cérebro uma incomparável tortura, o Pensamento, à evidência da luz, da alegria do sol, deixa-se possuir de um nervosismo triste, de um meio luar turvo e trágico de impressões agudas, dilacerantes.

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