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Artista Sacro

Cruz e Sousa (?–1898)

Filosofia4 min de leitura4 páginas

O começo

Na catedral, com toda pompa e liturgia, celebras-se a Semana Santa.

Pela Ressurreição, às quatro horas da manhã, há na igreja um ar vago de alvorada, em amarelo cidrento, trazida da rua pela larga e polida vidraçaria que se conserva alerta - ar menos vago, contudo, do que a névoa que turva fora os aspectos, em virtude dos lustres acesos, da variada profusão de luzes e da gala sagrada que enche de resplandecências e solenidades toda a extensa Nave onde os devotados católicos murmurejam num crescendo de mar tormentoso e cavado…

O Altar-Mor está vistosamente ornado, deslumbrante, viçando de flores colocadas em jarras azuis e doiradas, numa frescura e colorido cromático de jardim, rodeado de grandes tocheiros arabescados que faíscam, flamejam com chamas ensangüentadas e amarelas.

Em cima, até onde os olhos sobem mais, num trono de luzes, entre uma pesada cortina de damasco vermelho, de tons profundos, caída para os lados em pregas longas e largas, vê-se o Cristo, na alegoria de Redivivo, com a chaga simbólica no flanco direito, tendo numa das mãos um ramo verde.

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