Quem Sou Eu?
O começo
Quem sou eu? que importa quem? / Sou um trovador proscrito, / Que trago na fronte escrito / Esta palavra—Ninguém!— / A. E. Zaluar.— Dóres e Flores .
Amo o pobre, deixo o rico, / Vivo como o Tico-tico; / Não me-envolvo em torvelinho, / Vivo sò no meu cantinho: / Da grandeza sempre longe / Gomo vive o pobre monge. / Tenho mui poucos amigos, / Porém bons, que sam antigos, / Pujo sempre à hipocrisia, / A' sandice, à fidalguia;
Das manadas de Baroens? / Anjo Bento, antes trovoens. / Faço versos, não sou vate, / Digo muito disparate, / Mas só rendo obediência / A’ virtude, à inteligência: / Eis aqui o Getulino / Que no plectro anda mofino. / Sei que é louco e que é pateta / Quem se-mete a ser poeta; / Que no século das luzes, / Os birbantes mais lapuzes, / Compram negros e comendas, / Teem brasoens, não—das Kalendas, / E, com tretas e com furtos / Vam subindo a passos curtos; / Fazem grossa pepineira, / Só pela arte do Vieira , / E com jeito e protecçoens, / Galgam altas posiçoens! / Mas eu sempre vigiando / Nessa sucia vou malhando / De tratantes, bem ou mal / Com semblante festival. / Dou de rijo no pedante / De…
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