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Arte (II)

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia3 min de leitura3 páginas

O começo

Como eu vibro este verso, esgrimo e torço, / Tu, o poeta moderno, esgrime e torce; / Emprega apenas um pequeno esforço, / Mas sem que nada a pura ideia force.

Para que saia vigoroso o verso, / Como organismo que palpita e vibra, / É mister um sistema altivo e terso / De nervos, sangue e músculos e fibra.

Que o verso parta e gire como a flecha / Que do alto do ar, aves, além, derruba / E como um leão ruja feroz na brecha / Da estrofe, alvoroçando a cauda e a juba.

Para que tenhas toda a envergadura / De asa, o teu verso, como a cimitarra / Turca apresente a lâmina segura, / Poeta, é mister como um leão, ter garra.

Essa bravura atlética e leonina / Só podem ter artistas deslumbrados / Que sorveram com lábios e retina / A luz do amor que os fez iluminados.

Nem é preciso, poeta, que te esbofes / Para ferir um verso que fuzile; / Põe a alma e muitas almas nas estrofes / E deixa, enfim, que o verve tamborile.

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