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Arte (I)

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

Como eu vibro este verso, esgrimo e torço, / Tu, Artista sereno, esgrime e torce; / Emprega apenas um pequeno esforço / Mas sem que a Estrofe a pura ideia force.

Para que surja claramente o verso, / Livre organismo que palpita e vibra, / É mister um sistema altivo e terso / De nervos, sangue e músculos, e fibra.

Que o verso parta e gire — como a flecha / Que dalto do ar, aves, além, derruba; / E como os leões, ruja feroz na brecha / Da Estrofe, alvoroçando a cauda e a juba.

Para que tenhas toda a envergadura / De asa e o teu verso, de ampla cimitarra / Turca, apresente a lâmina segura, / Poeta, é mister, como os leões, ter garra.

Essa bravura atlética e leonina / Só podem ter artistas deslumbrado: / Que souberam sorver pela retina / A luz eterna dos glorificados.

Busca palavras límpidas e castas, / Novas e raras, de clarões radiosos, / Dentre as ondas mais pródigas, mais vastas / Dos sentimentos mais maravilhosos.

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