Quando Eu te Vi pela Primeira Vez no Palco
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Tu passas rutilante em toda a parse / Oh! sol de nossa pátria, oh! sol da arte!… / (Virgílio Várzea)
Quando eu te vi pela primeira vez no palco / Avassalando as almas, / Num referver de palmas, / Cheia de vida e cândido lirismo! / Senti na mente uns divinais tremores… / E louco e louco, / A pouco e pouco / Vi rebentar o inferno cataclismo!…
Mil pensamentos galoparam, céleres / Por minha fronte / E do horizonte / Quis arrancar os astros diamantinos, / Para arrojá-los a teus pés mimosos / E arrebatado, / Fanatizado / Por entre um mar de cintilantes hinos!…
Esse teu busto, a genial cabeça / Tão bem talhada / E burilada / Com o escopro límpido da arte, / Tem umas puras fulgurações suaves / E a tu'alma / Ardente ou calma / Os corações arrasta por toda a parte!…
A encarnação tu és das maravilhas, / A doce aurora, / Branda e sonora / Das teatrais e lucidas ideias!… / Tens no olhar o filtro que arrebata / E és profética / E magnética, / Possuis na voz o som das melopéias!…
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