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Condenado a Morte

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia6 min de leitura6 páginas

O começo

Desde que ele, o doloroso Estético, penetrou naquele Noviciado divino, que se sentiu para sempre condenado à Morte!…

Bem o pressentiu logo, bem o compreendeu, assim que em torno à sua cabeça melancólica e triunfante um clangor de guerra ecoou, vitoriando-o, e cem mil estandartes gloriosos dos falangiários do Ideal se desfraldaram e abateram ante seus pés, numa solene homenagem de conquista.

A Vida terrena do Tangível que flamejasse lá fora, nos turbilhões cruentos dos dias, no dilaceramento das horas; os homens que se atropelassem e gemessem e rojassem sob a mole formidanda das paixões; o gozo, a ebriedade do gozo, o prazer picante e álacre, fútil, leve, fácil, que cantasse sobre a terra, que agitasse todos os seus guizos jogralescos, rufasse todos os seus tambores festivos, fizesse ressoar todos os seus clarins ovantes…

Ele, o Estético doloroso, não! Dentro desse Noviciado divino estaria perpetuamente condenado à Morte — visão, fantasma, sombra do Imponderável, arrebatado não sei por que estranho Mistério, não sei por que esquisita impressão abstrata, não sei por que fluido maravilhoso, para a Morte, antes mesmo da consumação da matéria, por condenar as vãs alegrias que arrastam tantas almas, as venturas banais que fascinam e embriagam tão loucamente os homens.

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