Thereza
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Quando junto de mim Teresa dorme, / Escuto o seio dela docemente: / Exhalâo-se dali notas aéreas, / Não sei que de amoroso e de inocente!
Coração virginal é um alaúde / Que dorme no silencio e no retiro… / Basta o roçar das mãos do terno amante, / Para exhalar suavissimo suspiro!
Nas almas em botão, nesse crepúsculo / Que da infante e da flor abre a corola,
Murmurão leve os trêmulos sentidos, / Como ao sopro do vento uma viola.
Diz — amor! — essa voz da lira interna, / E’ suspiro de flor que o vento agita, / Vagos desejos, ânsia de ternura, / Uma briza de aurora que palpita.
Como dorme inocente esta criança! / Qual flor que abriu de noite o niveo seio, / E se entrega da aragem aos amores, / Nos meus braços dormita sem receio.
O que eu adoro em ti é no teu rosto / O anjelico perfume da pureza; / São teus quinze anos numa fronte santa / O que eu adoro em ti, minha Teresa!
Sào os loiros anéis de teus cabelos, / O esmero da cintura pequenina. / Da face a rosa viva, e de teus olhos / A safira que a alma te ilumina!
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