Tísica
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Lânguida e loira, tinha, na verdade, um ruidoso e festivo acordar de canários.
Quando o dia vem triunfalmente cantando por todas as gargantas de oiro dos pássaros, perfumado por todos os prados de rosas, rumorejando por todos os sonoros veios cristalinos de fontes, ela erguia-se também do leito, cantando, numa alegria comunicativa que iluminava tudo e ia para o piano soluçar no teclado, lindas barcarolas e valsas.
Quanta vez eu ouvi, e quantas outras a vi no rés do chão que enfrentava a minha morada, sempre com um vermelho esmaecido, manchado, em ambas as faces.
Como era feliz, e que ruidoso e festivo acordar de canários tinha Ela!
Chegou, afinal, o inverno.
A emigração das andorinhas começa em voos incisivos, que frisa o espaço translúcido de ruflagens dasas…
Os grandes frios pedem as grandes capas de lã para as mulheres, os confortáveis regalos de pelúcia, as luvas, que agasalham, que protegem as mãos, os pardessus e os largos fíchus para a cabeça.
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