O Vidente
Castro Alves (?–1871)
O começo
Virá o dia da felicidade e justiça para todos. / ISAÍAS / Às vezes quando à tarde, nas tardes brasileiras, / A cisma e a sombra descem das altas cordilheiras; / Quando a viola acorda na choça o sertanejo / E a linda lavadeira cantando deixa o brejo, / E a noite — a freira santa — no órgão das florestas / Um salmo preludia nos troncos, nas giestas; / Se acaso solitário passo pelas picadas, / Que torcem-se escamosas nas lapas escarpadas, / Encosto sobre as pedras a minha carabina, / Junto a meu cão, que dorme nas sarças da colina, / E, como uma harpa eólia entregue ao tom dos ventos / — Estranhas melodias, estranhos pensamentos, / Vibram-me as cordas dalma enquanto absorto cismo, / Senhor!…
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