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Capa de Tenebrosa

Tenebrosa

Cruz e Sousa (?–1898)

Poesia8 min de leitura7 páginas

O começo

Alta, alta e negra, de urna quase gigantesca altura, torso direito e forte, retesada na espinha dorsal como rígido sabre de guerra; colo erguido de ave pernalta, aprumado, gargalado e toroso; longos braços roliços, vigorosos, caídos, como extensas garras de falcão, ao amplo dos quadris abundantes e de linhas serenas, esculturais, de soberana estátua de mármore, — semelhas bem uma noturna e carnívora planta bárbara, ardente e venenosa da Núbia.

Olhos grandes, largos, profundos, cheios de tropical sensualismo africano e abertos como estrelas no céu da refulgente noite escura de ébano polido do rosto redondo — alta, alta e negra, de uma quase gigantesca altura — lembras também o astro nublado, caliginoso da Paixão, girando na órbita eterna da humanizada dolência da Carne, como mancha na luz, ou soturna mulher da Abissínia, cujos luxuriosos sentimentos panterizados sinistramente gelaram e petrificaram na muda esfinge dos secos areais tostados.

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