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Seráfica

Cruz e Sousa (?–1898)

Filosofia2 min de leitura2 páginas

O começo

Como as illuminuras dos Missaes, que resaltam de marfins eburneos, era infinitamente seraphica, da beatitude angélica dos querubins, aquela pálida mulher juncal, de um moreno triste e contemplativo de magnólia crestada.

Seus grandes olhos negros, profundos e velludosos, de finissimos cílios rendilhados, raiados de uma expressão judaica, tornavam ainda maior o relevo do pallôr esmaiado do rosto melancólico, que a singular formosura brandamente iluminava de claridade velada…

As linhas harmoniosas do seu busto sereno, perfeito, davam-lhe encanto vago, aéreo, siderações egrégias, prefulgencias de Archanjo.

Pairavam nessa mulher jalde-esmaiado, que na luz loura do sol tinha toques douro, suavidades de cânticos sacros, caricias de aves, e ritmos preciosos de cytharas e harpas finamente vibradas travez a sonoridade clara das languidas águas do Mar. Altiva e alta, com o sentimento frio do mármore das Imagens amarguradas, fluiam-lhe da voz, quando raramente falava, scysmativas dolencias, fundas nostalgias ennevoadas…

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