Sete de Setembro (Cruz e Sousa)
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Liberdade! Independência!… / Eis os brados grandiosos / Que quais raios luminosos / Fulguraram lá nos céus!… / Eis a mágica — Odisséia / Que duns lábios rebentando, / Foi o povo transformando, / Foi rompendo os negros véus!…
As colinas, prados, montes, / As florestas seculares / — Os sertões, os próprios mares / Exultaram com fervor! / E os brados retumbaram / Pela lúcida devesa, / Pela virgem natureza / Com homérico clangor!…
Qual artista consumado, / Qual um velho estatuário / Do Brasil no azul sacrário, / Essa data vos traçou, / — O triunfo mais pujante, / A eleita das ideias, / A major das epopéias / — Q'inda igual não se gerou!…
Mas embora, meus senhores / Se festeje a Liberdade, / A gentil Fraternidade / Não raiou de todo, não!… / E a pátria dos Andradas / Dos — Abreu, Autor:Gonçalves Dias|Gonçalves Dias]] / Inda vê nuvens sombrias, / Vê no céu fatal bulcão!…
Muito embora Rio Branco, / Esse cérebro profundo / Que passou por entre o mundo, / Do Brasil como um Tupã!… / Muito embora em catadupas / Derramasse o verbo augusto, / Da nação no enorme busto / Inda a mancha existe, há!…
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