Luar de Lágrimas
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
I Nos estrelados, límpidos caminhos / Dos Céus, que um luar criva de prata e de ouro, / Abrem-se róseos e cheirosos ninhos, / E há muitas messes do bom trigo louro.
Os astros cantam meigas cavatinas, / E na frescura as almas claras gozam / Alvoradas eternal, cristalinas, / E os Dons supremos, divinais esposam.
Lá, a florescência dos Desejos / Tem sempre um novo e original perfume, / Tudo rejuvenesce dentre harpejos / E dentre palmas verdes se resume.
As próprias mocidades e as infâncias / Das coisas tem um esplendor infindo / E as imortalidades e as distâncias
Estão sempre florindo e reflorindo. / Tudo aÍ se consola e transfigura / Num Relicário de viver perfeito, / E em cada uma alma peregrina e pura / Alvora o sentimento mais eleito.
Tudo aí vive e sonha o imaculado / Sonho esquisito e azul das quint'essências, / Tudo é sutil e cândido, estrelado, / Embalsamado de eternais essências.
Lá as Horas são águias, voam, voam / Com grandes asas resplandecedoras… / E harpas augustas finamente soam / As Aleluias glorificadoras.
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