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Lucano

Álvares de Azevedo (?–1852)

Crítica literária10 min de leitura8 páginas

O começo

Roma é o Protheo mítico, na historia. A fascinação das formas mais altivas e mais belas, tudo isso ela soube.

Roma a bandida, poviléu de homens perdidos, foi a Roma de Fabricio e Cincinato, de Fabio e Catão-Censor, foi o lábarum de heroísmos de toda uma época.

A Roma guerreira e severa, dos indomados brios, foi também a Roma prostituta dessa época que resvallou de Cesar — o mæchum calvum — como a soldadesca o chamava, o muliebnm omnium uxor, hominumque omnium mulier — como ele se dizia — polas saturnaes regias dos Cesares. Atheneo, Salviano, Luciano, Ammiano Marcellino — e entre todos esses, a voz sublime de maldição de Tacito, substituem aí aquele Tito Livio onde Niebuhr sentira o transverberar de uma epopeia.

A terceira fase é mais singular. Sobre as lupanares romanas, na pocilga da cidade voluptuosa, passou o lustral do cristianismo. Roma foi a Cidade Santa.

Depois, a Cidade Eterna foi outra vez a rainha da devassidão. Nos salões do Vaticano pernoitarão trepidantes as orgias com mulheres perdidas. Alexandre VI o papa nos braços incestuosos de, Lucrecia Borgia, eis um tipo da época… A Papisa Joanna (verdade ou mentira, que importa?) assinalou a era infame da Ponocracia.

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