Espelho contra Espelho
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Tu, alma efeita, que trazes essa sede de Espaço, essa ansiedade de Infinito, essa doença do Desconhecido que te fascina os nervos, que vieste ao mundo para falar pelas outras bocas, para ser a voz viva de todas as vozes mortas; tu, que andas em busca de uma dor que venha ao encontro da tua; tu, que interpretas tanta queixa, tanta queixa, tanta queixa dos Corações, tanta queixa dos Espíritos, tanta queixa das Almas, tudo porque não há resposta a esta pergunta horrível: por que nos deram a Vida?! Tu, que legaste toda a delicadeza virginal do Sentimento a este Apostolado doce e amargo da Arte, bela e triste; tu, que sentes chamejar e cantar a inefável poesia que te alimenta como o óleo…
Texto do Wikisource em português, que só hospeda obra livre: domínio público ou licença livre (CC BY-SA 3.0). A ficha aponta de volta para a página de origem, que é a atribuição que a licença pede.