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Saudades (Álvares de Azevedo)

Álvares de Azevedo (?–1852)

Poesia2 min de leitura2 páginas

O começo

’Tis vain to struggle — let me perish young!

Byron.

Foi por ti que num sonho de ventura / A flor da mocidade consumi, / E às primaveras disse adeus tão cedo / E na idade do amor envelheci!

Vinte anos! derramei-os gota a gota / Num abismo de dor e esquecimento… / De fogosas visões nutri meu peito… / Vinte anos!… não vivi um só momento!

Contudo, no passado uma esperança / Tanto amor e ventura prometia… / E uma virgem tão doce, tão divina / Nos sonhos junto a mim adormecia!…

· · · · · · · · · · · · · ·

Quando eu lia com ela — e no romance / Suspirava melhor ardente nota, / E Jocelyn sonhava com Laurence / Ou Werther se morria por Carlota,

Eu sentia a tremer, a transluzir-lhe / Nos olhos negros a alma innocentinha, / E uma furtiva lágrima rolando / Da face dela humedecer a minha!

E quantas vezes o luar tardio / Não viu nossos amores inocentes? / Não embalou-se da morena virgem / No suspirar, nos cânticos ardentes?

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