Marche aux Flambeaux
Cruz e Sousa (?–1898)
O começo
Rompe na aurora o sol que a terra esbofeteia / Com látegos de chama, iriando o pó e a areia, / Iriando os vegetais de ricas pedrarias, / Dos rubis e cristais das ourivesarias; / Aurora acesa em cor de púrpura de cravos / Opulentos, febris, ensanguinados, bravos; / De ritmos leves de harpa e frêmitos e beijos / Que são da natureza os trêmulos arpejos;
Aurora que sorri, que traz pomposamente / Todo o raro esplendor da luz resplandecente, / Das paisagens loucas no fúlgido matiz / O aroma a derramar da meiga flor de liz.
Na alegria dos tons os pássaros cantando / Vão as asas abrindo, entre os clarões ruflando, / Asas emocionais, que assim dentre clarões / Palpitam num fervor de alados corações.
E no luxo oriental de etéreo Grão-Mogol / Como um Baco feliz rubro flameja o sol.
Filósofos titãs, filósofos insanos / Que destes turbilhões, que destes oceanos / De lutas e paixões, de sonho e pensamentos / Espalhásteis no mundo aos clamorosos ventos / A Ciência fatal, talvez como um veneno, / Que os tempos abalou no caminhar sereno; / Filósofos titãs, que os séculos austeros / No flanco da Matéria abris, graves, severos, / Sobre o escombro da fé, da crença e da esperança, / Da civilização o trilho que hoje alcança / No seu aço viril as regiões supremas, / Traçado em novas leis, doutrinas e problemas; / Vós que sois no Saber os monges da existência / E só acreditais na força da Ciência, / Que da morte sabeis os filtros invisíveis, / Narcóticos, sutis, incógnitos,…
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