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Crianças Negras

Cruz e Sousa (?–1898)

Infantojuvenil2 min de leitura2 páginas

O começo

Em cada verso um coração pulsando, / Sóis flamejando em cada verso, e a rima / Cheia de pássaros azuis cantando / Desenrolada como um céu por cima.

Trompas sonoras de tritões marinhos / Das ondas glaucas na amplidão sopradas / E a rumorosa musica dos ninhos / Nos damascos reais das alvoradas.

Fulvos leões do altivo pensamento / Galgando da era a soberana rocha, / No espaço o outro leão do sol sangrento / Que como um cardo em fogo desabrocha.

A canção de cristal dos grandes rios / Sonorizando os florestais profundos, / A terra com seus cânticos sombrios, / O firmamento gerador de mundos.

Tudo, como panóplia sempre cheia / Das espadas dos aços rutilantes, / Eu quisera trazer preso à cadeia / De serenas estrofes triunfantes.

Preso à cadeia das estrofes que amam, / Que choram lágrimas de amor por tudo, / Que, como estrelas, vagas se derramam / Num sentimento doloroso e mudo.

Preso à cadeia das estrofes-quentes / Como uma forja em labareda acesa, / Para cantar as épicas, frementes / Tragédias colossais da Natureza.

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