Vida (Álvares de Azevedo)
Álvares de Azevedo (?–1852)
O começo
Oh! laisse-moi t'aimer pour que j'aime la vie! / Pour ne point au bonheur dire un dernier adieu / Pour ne point blasphémer les biens que l'homme envie / Et pour ne pas douter de Dieu! / ALEXANDRE DUMAS
Oh! fala-me de ti! eu quero ouvir-te / Murmurar teu amor… / E nos teus lábios perfumar do peito / Minha pálida flor.
De tua carta nas queridas folhas / Eu sinto-me viver…
E as páginas do amor sobre meu peito
E, quando, à noite, delirante durmo, / Deito-as no peito meu… / Nos delíquios de amor, ó minha amante, / Eu sonho o seio teu…
A alma que as inspirou, que lhes deu vida / E o fogo da paixão… / E derramou as notas doloridas / Do virgem coração!
Eu quero-as no meu peito, como sonho / Teu seio de donzela, / Para sonhar contigo o céu mais puro / E a esperança mais bela!
A nós a vida em flor, a doce vida / Recendente de amor, / Cheia de sonhos, desperança e beijos / E pálido langor…
A tua alma infantil junto da minha / No fervor do desejo, / Nossos lábios ardentes descorando / Comprimidos num beijo…
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